
Hoje é véspera do dia em que tudo poderá mudar.
O futuro é aquele lugar em que a esperança teima em descansar. Porém, nem sempre os sonhos resistem à gravidade do tempo.
Como terá sido o último dia de Adão e Eva no Paraíso? Teriam eles comido do fruto proibido se soubessem antecipadamente de tudo o que viria depois?
Não vou dizer aqui, não me precipitarei. Não sou excessivamente tolo. Hoje quero somente viver no amanhã de uma Terra Prometida.
O agora pode não ser o inferno de outras eras, mas talvez haja sido transmutado num purgatório a estender-se por eternidades inteiras.
Quanto ao porvir, ah o porvir será um bálsamo. Não tenho sob controle a sucessão de eventos, pois são tantas as variáveis a alterarem o processo em que é viver, e quanto a mim que não sou Deus, faço o quê?
Resta-me esperar. A expectativa é a sensação ardente e fria, na verdade gélida, quando algo está prestes a revelar-se.
Não falo mais nada. Apenas me escondo atrás daquela coluna. Porque se tudo desabar ao menos terei algo com que me sustentar.
Sinto-me enfraquecido. Talvez seja a ânsia de véspera. Amanhã, e eu não resisto, preciso dizer. Amanhã sim e não depois de amanhã. Mais especificamente amanhã o mundo se encherá de cor.
Que assim seja.