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Inimigos?

Ela tem mais de 90 anos e viu a paz ser interrompida pela academia agora instalada ao lado de sua casa.

A princípio, reclamava do barulho. Dizia ser impossível assistir televisão ou dormir na rede da varanda. Chamou a polícia, procurou a prefeitura e o ministério público. Nenhum efeito.

Foi então que resolveu se matricular naquele espaço dedicado ao corpo. Passou a fazer sucesso nas redes sociais, afinal não é todo dia que uma nonagenária se torna praticante assídua de crossfit

É aquela velha história: se não é possível derrotar um inimigo, junte-se a ele.

Não raro, tudo é uma questão de simplificar a vida. Se algo está mexendo com a sua paciência, pergunte-se se realmente vale a pena comprar briga.

Porque há guerras que não merecem ser travadas. Não é o caso de fugir da luta, mas de poupar a sua energia.

Não é incomum a gente se abalar por tão pouco.

No caso da velhinha marombeira, o volume da música baixou bastante desde que ela passou a malhar por lá.

Não sei  quais são os ruídos que te incomodam. No entanto, um simples protetor auricular pode dar conta do recado.

Às vezes, a solução não vem com grandes gestos, mas com pequenos ajustes internos ou externos. 

Um passo para o lado, um olhar diferente, uma adaptação simples. E, quando percebemos, aquilo que parecia gigante perde o tamanho, esvazia o peso, deixa de nos ocupar.

Nem sempre dá para controlar o barulho do mundo. Mas quase sempre dá para escolher como reagimos a ele.

No fim, talvez a gente só precise disso: leveza para seguir, sabedoria para ceder e coragem para mudar o que realmente importa.

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