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Tempo morto

Estava aqui no meu canto ouvindo Tempo Morto do 5aseco e me deu vontade de escrever.

O título é interessante, pois o tempo para quem está vivo, ao menos em tese, deveria ser pulsante.

Mas no meu caso, eu morri, ainda que mantivesse a respiração. Analisando a minha jornada, constato que tenho acumulado tempos mortos por anos a fio.

Será que isso acontece com você também? Suponho que não.

A impressão é a de que sou o único ressuscitado à minha volta. Desconheço outros mortos-vivos ou mesmo vivos-mortos nas redondezas. No entanto, morrer para depois recobrar o pulso tem lá as suas vantagens.

A maior delas talvez seja um certo grau de relativização, um distanciamento não em forma de desumanização, mas de consciência ampliada.

O meu olhar, a maneira como enxergo a existência me é tão particular quanto dura. Mas ainda assim, conservo em mim o espanto da primeira vez.

Parece contraditório, eu sei. Mas a vida, afinal, é o quê? 

Você tem razão: por que não me encarrego de tomar as rédeas daquilo que me pertence? 

A resposta: porque se assim o fosse, não seria eu. Seria você.

Que não restem dúvidas: entre mim e você há um abismo.

Não quero mais atravessar mares, tampouco saltar sobre precipícios.

Desejo apenas morrer para, em seguida, viver outra vez mais.

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