
Ela andava sempre bem vestida, e as crianças também.
Mas eis que um belo dia, o marido arrumou uma amante e, como era financeiramente dependente dele, do nada ficou a Deus dará.
Teve de se mudar do apartamento confortável para uma periferia sórdida e distante. Passou a viver num barraco sem que lhe fossem atendidas as necessidades básicas. Nunca mais a vi, mas me disseram que estava destruída. Convenhamos, não poderia ser diferente.
Apesar de imprudente, depositar todas as expectativas em mãos alheias é uma armadilha que segue vitimando muita gente boa por aí.
Está claro que vivemos num mundo interdependente. Ou você pensa que a comida brota nas prateleiras do supermercado por um passe de mágica?
Gostemos ou não, em diversos graus e intensidades, somos todos dependentes uns dos outros.
No entanto, não é a esse tipo de dependência cotidiana a que me refiro. Estou falando de gente que faz da própria vida uma mercadoria. Se fica barato demais, pode estar certo, ninguém vai te comprar. Aí é que começam os problemas.
Se a autossuficiência é uma mentira, a dependência, seja ela qual for, é o caminho mais curto para a desilusão.
As pessoas podem te prometer mundos e fundos. A questão é que promessas não passam de promessas. Amanhã vão te dizer que não era bem assim, que você se equivocou, que não entendeu direito. Perceba que a responsabilidade tem sempre endereço certo: você.
Construir castelos de areia é tão fácil quanto derrubá-los. Não percorra tal percurso rumo à autodestruição.
Ao contrário, se proteja. O antídoto mais potente contra qualquer fragilidade chama-se amor próprio.
Se ame a ponto de não permitir que te derrubam.
Ou você aprende isso rapidinho, ou o preço será tão alto até se tornar impagável.
Você quer pagar pra ver? Espero que não.